A Liberdade não dá lucro


Podemos dizer com toda a certeza que o universo é todo ele um centro,
ou que o centro do mundo está em toda a parte e a circunferência em lugar nenhum.
\\ Giordano Bruno, 16 DJ

 

Quando a rede se começou a expandir, ainda não há meia dúzia de décadas, toda a gente desatou a pensar Eis um novo caminho para a Liberdade.
E era. Ou podia ter sido. Podia mesmo. O problema é que a Liberdade tem sempre um preço. Ao contrário das casas dos electrodomésticos ou dos automóveis, não há Liberdade a crédito. Porque, ao contrário das coisas quase todas, a Liberdade não dá lucro. Por isso, não há time sharing para quinze dias de Liberdade por ano. Nem prestações, nem taxa fixa, nem juros bonificados, nem spreads negociáveis, nem benefícios fiscais. É preciso dar garantias reais. Hipotecar a alma, por vezes o corpo. E pagar juros. Demasiado altos como sempre são todos os juros. Usuários, injúrios. Pela única coisa que deveria vir mandatoriamente incluída no pacote vida. Com garantia vitalícia. E assistência pós venda. A puta da Liberdade.

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Fantasmas semióticos e outros agradecimentos protocolares

# Agradecimentos
Mário-Henrique Leiria. O Velho desta história não é outro senão ele. Ou melhor, parafraseando o cyberpunk Bruce Sterling, o Velho é o seu exacto fantasma semiótico. Como dele são também boa parte dos nomes das personagens. Sobretudo os menos vulgares. E não foi por acaso. Nada é nunca por acaso. As coincidências têm causas matemáticas deveras curiosas. Era o que ele dizia. E eu subscrevo.

 # Agradecimentos protocolares
Ministério da Cultura. Em 1997 ganhei uma Bolsa de Criação Literária para escrever este livro. Ao fim de três meses percebi que a coisa não estava a correr como previsto. Escrevi outro, chamei-lhe Fados & Desgarrados e consegui – ao fim de vários anos, duas versões e uma dúzia de recusas – editá-lo com relativo sucesso. Sem o Ministério da Cultura e o caloroso apoio do contribuinte anónimo nunca teria escrito, nem um, nem outro. O contribuinte anónimo deve, portanto, sentir-se duplamente ressarcido pelo seu investimento na minha carreira literária. Com a mesma bolsa acabei por escrever um e adiantar outro. Poderá obstar que este peca por tardio. Pois é verdade, mas já lá diz o povo \\ Mais vale tarde do que nunca. Com a vantagem de, agora, o poder ler à borla. Caso o tivesse concluído e editado na altura, o contribuinte anónimo teria de o comprar em papel. Isto se o quisesse ler. O que, naturalmente, não é líquido. Nem nada que se pareça.

# Abraços
Ao Viriato Teles, homem com Agá e paciência infinita, que me ajudou, pela calada da noite, a montar este saite.
Ao José Couto Nogueira, cosmopolita impenitente, em cuja e saudosa alface-voadora.pt saiu, inacabada, a primeira versão deste folhetim electrónico, então com o nome de Os Suspensos.
À Liberdade. Não dá lucro, mas dá-nos muita tesão.

# Tecnologias praticamente limpas
Sony M-750 V, Macintosh Classic, Mac LC, iMac 7.0, iBook Graphite, eMac G4, iMac G5, MacBook Pro