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Um dia, era o chuvoso Outono de 98 quase no fim, calcorreava sem destino as vielas laterais por onde praticamente nunca passava e descobri quase sem querer o Novyork. O nome fisgou-me logo. Pesei durante alguns segundos se entrava ou não.
Cedo era. Ver as mesmas caras de sempre nas mesmas tascas do costume, cheias dos mesmos garotos de todos os fins-de-semana a enxofrarem-se de cerveja até à hora do último barco e do último comboio para as reluzentes periferias, também não me apetecia por aí além. Atirei-me portanto ao porteiro com um polido boa-noite. Este, fardado com o rigor de naftalina dos antigos comodoros de estação ferroviária, fez-me sentir num tribunal de polícia a responder por desacatos na via pública. Os seus olhos, onde as cataratas e a pinga haviam já desenhado milhares de minúsculas estrias vermelhazuladas, executaram um impertinente movimento de câmara desde a minha cabeça até aos meus pés.
Muito boa noite faça o favor de entrar.
edição Campo das Letras, 2007
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