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José Xavier Ezequiel, fumador activo do sexo heteromasculino, nasceu nas antigas colónias africanas no ano de 1962. Na publicidade, nos jornais ou em revistas tem ganho a vida como redactor; chegou até a publicar meia dúzia de histórias em antologias e outras publicações avulsas, mas apenas depois dos quarenta se atreveu a tentar editar um romance só seu, tarefa que se viria a revelar bem menos fácil do que poderia esperar. Durante a juventude descobriu a literatura negra, policial ou não, e devorou tudo o que havia disponível. Não lhe repugna que uma certa inteligência, sempre mais propícia à filigrana dos brincos que ao quilate da alma, continue a considerar o policial uma literatura menor, desde que não se esqueça de incluir no mesmo lote o Crime e Castigo do Dostoievsky, o Klein und Wagner do Hesse, O Estrangeiro do Camus, quase todo o Poe, o melhor do Vian e até uma boa parte do Borges. Esse amor à literatura menor levou-o a conhecer, primeiro Dennis McShade e depois, uma coisa leva fatalmente à outra, o seu homónimo Dinis Machado, de quem se tornou amigo e que lhe escreveu para fados & desgarrados um memorioso prefácio, talvez até porque os cenários do Bairro Alto e das muitas outras noites de Lisboa também sempre lhe foram intestinamente familiares. |
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